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A Reforma Protestante resgatou o Evangelho

Até a última metade da Idade Média, a igreja enfrentou crises graves, especialmente nos séculos IV e V, quando a natureza de Cristo esteve em debate. Desde aquela época, as doutrinas da Trindade e da união das naturezas divina e humana de Cristo são consideradas, quase que universalmente, como doutrinas essenciais da fé cristã. Jamais uma controvérsia doutrinária foi contestada com mais força ou com tais consequências a longo prazo, como aquela sobre a justificação. Houve outras questões relacionadas que foram debatidas no século XVI, mas nenhuma foi tão central ou acalorada quanto esta.

Os historiadores frequentemente descrevem o tema da justificação como a causa material da Reforma. A doutrina da Justificação pela Fé, era a questão substantiva e central do debate cristão do Século XVI. Foi esta doutrina que levou à ruptura mais profunda da cristandade e à fragmentação da igreja em milhares de denominações.

Martinho Lutero chamou a justificação pela fé - SOLA FIDE - como “o artigo sobre o qual a igreja permanece ou cai”. As boas novas do Novo Testamento incluem não apenas um anúncio da pessoa de Cristo e sua obra em nosso favor, mas também uma declaração de como os benefícios da obra de Cristo são apropriados pelo crente, no crente e para o crente. Rejeitar a justificação somente pela fé é rejeitar o Evangelho, e desabar como igreja.

A questão de como a justificação e a salvação são recebidas se tornou o ponto fundamental da Reforma protestante. A insistência de Lutero na Sola Fide (Somente a fé) era baseada na convicção de que o “como” da justificação é integral e essencial ao próprio Evangelho. A Reforma Protestante do Século XVI via a justificação somente pela fé como necessária e essencial ao Evangelho e à salvação.

Visto que o Evangelho está no centro da fé cristã, os reformadores consideravam o debate sobre a justificação como algo que envolvia uma verdade essencial do cristianismo, uma doutrina não menos essencial do que a da Trindade ou das duas naturezas de Cristo.

Os reformadores seguiram essa lógica:

• A justificação somente pela fé é essencial ao Evangelho;
• O Evangelho é essencial ao cristianismo e à salvação;
• O evangelho é essencial para uma igreja ser uma igreja verdadeira;
• Rejeitar a justificação pela fé é rejeitar o Evangelho e desabar como igreja.

Os reformadores concluíram que, quando Roma rejeitou e condenou a Sola Fide, condenou-se a si mesma e deixou de ser uma igreja verdadeira. Isso precipitou a criação de novas igrejas que buscaram continuar o cristianismo bíblico e serem verdadeiras igrejas com um verdadeiro Evangelho. Essas novas igrejas chamadas então de “protestantes” buscaram resgatar o Evangelho da ameaça iminente de eclipse total! Sem o Evangelho, a Igreja desaba.

Sem o Evangelho, a Igreja não é mais a Igreja.

Retirado de Bible and Theology
R. C. Sproul – 20 de Abril, 2017

Pr. Bruno Ferreira